Especial: Dê voz à sua comunicação – Artigo II

Especial: Dê voz à sua comunicação – Artigo II

 

Na nossa última postagem da série “Dê VOZ à sua comunicação” (que você pode conferir aqui) discutimos sobre os aspectos linguísticos associados à voz, principalmente aqueles relacionados à fala e à aquisição de linguagem. Neste artigo iremos discutir mais perto os aspectos comunicativos da voz em diferentes situações de uso profissional e social.

ASPECTO SOCIAL E COMUNICATIVO DA VOZ: NAS ARTES, NAS CORPORAÇÕES E NA VIDA

Quando falamos de “aspectos sociais e comunicativos da voz” estamos imaginando uma dimensão em que a voz assume o papel principal em uma situação de comunicação. Isso se dá, por exemplo, quando estamos ao telefone ou mesmo em uma interação face-a-face. Desta forma, podemos entender que a voz é um cartão de visitas, por meio dela a pessoa que escuta pode criar uma imagem de quem está falando. Não apenas isso, a voz além de transmissora da linguagem, é capaz de demonstrar se aquele que fala está seguro do conteúdo, se está feliz, se está nervoso… dentre outras tantas informações. Indo além, muitas vezes é a voz que permite que tenhamos atenção naquilo que é falado, é ela quem atrai o ouvinte para o que precisa ser dito. Você sabia que a voz de um palestrante é duas vezes mais importante que o conteúdo para manter a atenção da plateia? Com certeza você já passou pela experiência de assistir a um falante com voz pouco envolvente ou motivada e, apesar do conteúdo interessante, foi difícil manter a atenção ao conteúdo. Não foi?!
Embora não exista um “padrão ótimo” de voz e cada pessoa tem um estilo, uma qualidade vocal, quando falamos de voz nas profissões, existe aquelas que são mais específicas e apreciadas. Geralmente, vozes tendendo para o grave (grosso) são preferidas para locução, como a de Sílvio Luiz, outras mais agudas (finas) são preferidas para atuação apresentadoras de programas infantis, como a Xuxa ou a Angélica, e aquelas com grande flexibilidade são ótimas para os programas humorísticos, como a de Tom Cavalcante, por exemplo.
E no mundo corporativo, a voz faz diferença? Você sabia que vozes mais graves para executivos parecem ser as preferidas? Uma pesquisa recente na Universidade de Duke (EUA) avaliou a voz de 792 diretores, todos homens, de empresas de grande posicionamento econômico daquele país, companhias estas responsáveis por 90% do mercado de ações americano, para observar se havia algo em comum na voz desses executivos (http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1090513813000238 ). O resultado foi surpreendente: os cargos mais altos na hierarquia das empresas (diretores e presidentes) tendem a ser ocupados por homens com vozes mais graves (grossas), a pesquisa também demonstrou que eles tendem a permanecer mais tempo em seus cargos, declararam melhores salários e as empresas que representam estão entre as de maior faturamento.
A reflexão que se extrai é muito interessante: a voz pode ser forte influenciadora na ascensão profissional destes diretores. Se a voz facilitou na ascensão na carreira ou o fato de ocupar cargos de maior prestígio e poder desencadearam um “falar mais grave” ainda não sabemos, mas é fato que temos um dado muito interessante a ser analisado e a partir dele podemos refletir sobre a importância de potencializarmos a qualidade de nossa voz.
Mas a voz existe em tempo integral em nossas vidas. Então, a reflexão também é válida para nossos relacionamentos familiares e entre amigos. Você já ouviu as expressões “Não fale comigo nesse tom!”, “Fale baixo. Vão achar que você está nervo” para repreender alguém nas conversas familiares? A voz acompanha as discussões, sendo um combustível para inflamar os ânimos. Cuidado! Mas também já deve ter escutado “Sua voz aquece meu coração”, portanto, se bem utilizada aproxima, estreita os relacionamentos.
Mas como potencializar nossa voz se nem nós mesmos ouvimos como ela soa para o ouvinte? Pois é, esse é um fato curioso e tem uma explicação. Quando falamos o som é produzido no interior de nossa boca, essa produção gera uma vibração, a qual faz vibrar os ossos e músculos de nossa face. Ao ouvirmos nossa própria voz, ouvimos, na realidade, a somatória de dois sons: aquele que sai da nossa boca e é retroalimentado pelos nossos ouvidos e a interferência dessas vibrações que chega internamente, ou seja, ouvimos um som “distorcido”, ou pelo menos, diferente do que os outros escutam.
Façamos alguns testes: grave sua voz e depois a ouça, você irá notar que ela soa diferente daquilo que você está acostumado a ouvir. Agora conte números em voz alta e após o número cinco tampe os ouvidos e continue contando: percebeu como você continua ouvindo outra voz? Curioso, não? Este é o primeiro ponto de quando estamos tratando dos aspectos comunicativos da voz: como ela soa para você e para os outros. Por isso os treinamentos e consultorias individuais auxiliam a melhorar esta percepção e a atingir o alcance do máximo da potência vocal para o melhor relacionamento interpessoal.
No próximo post aprofundaremos a questão da Expressividade da voz nas relações interpessoais. Acompanhe!

 

VER TAMBÉM

http://oglobo.globo.com/economia/emprego/ceos-com-vozes-mais-graves-estao-mais-propensos-ter-sucesso-diz-estudo-8196660

http://www.huffingtonpost.com/2013/04/17/ceo-deep-voice-more-success_n_3101384.html

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1090513813000238

http://www.fuqua.duke.edu/news_events/news-releases/ceo-vocal-pitch/#.VwPCNKQrKhe