Crônicas Univoz: Mulher nas Organizações e a sua Comunicação

Ana Elisa Moreira-Ferreira
Diretora da Univoz
Consultora em Comunicação Humana
www.univoz.com.br

UNIVOZ Mulheres 2 thumbUNIVOZ Mulheres 3 thumbAgora em abril a jornalista Ana Paula Padrão lança seu livro “O Amor Chegou Tarde em Minha Vida” abordando questões essenciais da mulher de hoje. Tive a oportunidade de assisti-la e conversar pessoalmente sobre comunicação nos ambientes corporativos. Esse encontro me estimulou a partilhar com nossos amigos, clientes e parceiros algumas reflexões que temos feito em nossos trabalhos de consultoria da Univoz, sobre a atuação das mulheres nas corporações.

No evento discutimos sobre o que levou, nós mulheres, ao mercado de trabalho e o que nos mantém ativas e com carreira em crescimento. As mudanças foram evidentes e importantes, consolidando nosso espaço. Somos uma força de trabalho essencial para a economia do país e com participação decisória nas compras e investimentos das famílias. Por curiosidade, vocês sabiam que uma pesquisa de 2011 mostrou que cerca de 45% das compras de automóveis no Brasil são realizadas ou influenciadas pelas mulheres?

Mas ainda existem diferenças e ofensores importantes. Apenas 27% dos cargos de liderança no Brasil e 4% dos CEO´s de grandes empresas são ocupados por mulheres. Por outro lado, empresas com presença de mulheres em comitês executivos apresentam melhores resultados no ROI e EBIT. Esse paradoxo aponta para a necessidade de muitos anos a frente para vivenciarmos uma mudança cultural efetiva sobre nossa atuação.

Um ponto importante, e que tem relação com o trabalho que realizamos de consultoria na Univoz, é o estilo de comunicação feminino. O “mimimi”, como brinca Ana Paula Padrão na palestra, e que muitas das mulheres jovens ainda apresentam, falando mansinho ou com excesso de delicadeza e melodias vocais, demonstram carinho, não deve ser empregado nos ambientes corporativos. Analisando depoimentos de colaboradores de empresas, notamos que esse comportamento comunicativo desencadeia sensação de fragilidade, de pouca maturidade para o trabalho e de falta de competência. Em nossas consultorias e treinamentos alertamos que usar excessivamente os diminutivos, excesso de adjetivos qualificativos, ou variabilidade vocal com elevação para agudos pode ser um primeiro motivo de julgamento negativo da mulher nas empresas, apesar de caracterizarem a fala feminina.

O mundo corporativo pede uma comunicação mais assertiva, direta e segura. Talvez por termos apenas algumas décadas de ação ativa no mercado de trabalho, o estereótipo de uma comunicação corporativa adequada é baseado em padrões masculinos: ser direto, objetivo, com voz mais “controlada” sem demonstrar emoção. Não é coincidência que uma pesquisa da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, mostrou que, entre os executivos de grandes empresas, aqueles com vozes mais graves (voz grossa), ocupam cargos em empresas de maior destaque, por mais tempo e recebem maiores salários. Há anos atrás uma pesquisa brasileira concluiu que as mulheres executivas tinham mais vozes de poder, ou seja, também mais graves. Se a voz foi o que ajudou na ascensão na carreira ou se houve uma transformação vocal para ocupar cargos de liderança, não sabemos e ainda precisamos compreender outras interfaces sobre a comunicação corporativa.

Por outro lado, é um erro acharmos que precisamos deixar de sermos femininas para atuar nas empresas. Por exemplo, nos aspectos visuais, estarmos bem cuidadas, valorizando a nossa possibilidade de variar cores, penteados, roupas, adereços, perfumes pode ser muito bem empregado no trabalho, bastado lembrar as diferenças entre vestir-se para a festa ou para o trabalho e de respeitar os estilos de cada empresa. Na comunicação também podemos fazer pequenas transformações sem deixar de falar o que pensamos com amorosidade, sensibilidade e sentimentos, que são características do lado sensível e intuitivo da mulher, mas sem deixar que a emoção “a flor da pele” interfira nas relações. Afinal, se fomos impulsionadas ao mercado de trabalho por fatos históricos, políticos e de mudanças de comportamento, nos mantivemos atuantes nele por termos nossa capacidade e competência, mas também nossos atributos de comunicação emocional, flexível e com olhar humano contribuíram para isso. Por que eliminá-los?

O livro de Ana Paula Padrão já está nas bancas e será lançado oficialmente em São Paulo no dia 07 de abril.

Ana Elisa Moreira-Ferreira é diretora da Univoz, consultora em Comunicação humana.

 

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