O poder transformador do aprendizado

O poder transformador do aprendizado

Conhecer, saber, aprender, viajar, experimentar são todas palavras circulando constantemente em nossas conversas e redes sociais. Vivemos em uma época que o conhecimento, seja ele factual ou acadêmico, tem um maior alcance, com isso mais pessoas podem aprender e muitas pessoas têm feito isso de forma sistemática. Falar novas línguas, conhecer novos países ou desenvolver uma habilidade profissional são alguns exemplos de como a aprendizagem está presente em nosso dia-a-dia.

Quando entramos em contato com algo que nos é novo, passamos a encarar a realidade de outra forma, temos agora um novo filtro que irá nos ajudar a analisarmos os fatos que chegam até nós. Em certo sentido, aprender algo é também perder algo. Perder uma visão ultrapassada ou equivocada de um problema ou de uma situação. Por isso, a aprendizagem é um processo fundamental para nós e o caminho que ele gera é sempre o de acrescentar, crescer e evoluir.

Não é apenas isso. Esse novo filtro nos permite questionar certos padrões e modelos, pois nos coloca diante de um mundo que até então não se conhecia. Por isso, vamos em direção a estes padrões, buscando entende-los e compreender como eles funcionam e, ainda, como podem melhorar. Dessa forma, o aprender nos motiva a aprender mais, o que nos motiva a entrar em um ciclo de descobertas.

Se por um lado aprender é fundamental para nos colocar em marcha com o que é novo, por outro, o não-aprender pode nos colocar em um modo automático. Nossas vidas profissionais são muito marcadas pela repetição. Executamos as mesmas tarefas ou tarefas muito parecidas todos os dias, o que nos leva a criar padrões comportamentais e, até mesmo, de percepção. Assim, sem que se note, cria-se um hábito, muitas vezes, limitante. Os principais problemas dessas atitudes são:

  • Passamos a executar nossas tarefas de modo automático sem, necessariamente, termos uma avaliação crítica daquilo que está sendo feito.
  • Outro problema é criar a falsa percepção de que se chegou ao ápice de uma habilidade, de modo que não há mais espaço para nos desenvolvermos.
  • Crer que sua performance ou modo como você pensa ou trabalha já está consolidado, sem que haja qualquer possibilidade de modificar ou estabelecer um novo método, ou seja, que seu mindset não pode mais ser alterado.
  • Como resultado ligamos o piloto automático – um dos piores hábitos derivados dessas atitudes.

Aprender é um antidoto exatamente contra esse modo automático de agir, pensar e realizar tarefas, pois contribui para mudarmos a forma como encaramos os desafios diários e de nossa carreira. Neste sentido, o ciclo de descobertas que falamos acima se torna uma peça fundamental quando queremos nos desenvolver, pois é a partir da aprendizagem de uma nova informação que podemos reestruturar a forma como lidamos com as diversas faces da nossa vida. No aspecto profissional, ele representa uma abertura, a possibilidade de explorar novos caminhos e até mesmo experimentar novas áreas de atuação.

A aprendizagem é um processo que envolve diversos aspectos. Buscar o método que melhor se adeque a nós e com o apoio de profissionais qualificados é a primeira tarefa que devemos colocar em prática. Além disso, é importante ter em mente que a aprendizagem demanda uma “insatisfação positiva”: não podemos nos dar por satisfeito com aquilo que sabemos, precisamos sempre querer um pouco mais. Se você ainda tem dúvida, lembre-se sempre destas palavras de José Saramago, escritas um ano antes de sua morte:

Qualquer idade é boa para aprender. Muito do que sei aprendi-o já na idade madura e hoje, com 86 anos, continuo a aprender com o mesmo apetite. (José Saramago)