Entrevista: Ana Elisa Moreira-Ferreira, diretora técnica da Univoz conta os detalhes da sua participação no mais importante congresso de cuidados com a voz

Entrevista: Ana Elisa Moreira-Ferreira, diretora técnica da Univoz conta os detalhes da sua participação no mais importante congresso de cuidados com a voz

Em cinco dias de congresso, a 47ª edição do The Voice Foundation – TVF, realizado na Filadélfia (EUA) apresentou à comunidade científica os últimos avanços em ciência e cuidados com a voz e comunicação humana. Entre os convidados, a diretora técnica da Univoz, Ana Elisa Moreira-Ferreira participou do painel “Programa de Saúde Vocal e Comunicação em empresas” e se destacou por apresentar os resultados da Univoz em Programas de Saúde Vocal nas organizações. Além de contribuir com os seus conhecimentos adquiridos ao longo dos seus 30 anos de carreira, Ana Elisa trouxe importantes atualizações para a Univoz.

E para apresentar um pouco dos bastidores deste importante evento internacional, entrevistamos a Ana Elisa que revela algumas novidades e principais estudos relacionados à saúde e bem-estar da voz. Acompanhe:

• Em sua 47ª edição, o The Voice Foundation é considerado um importante congresso que reúne os principais profissionais da área de voz humana no mundo. Para você, representando a Univoz, qual é a importância deste convite em fazer parte de um painel?

Ana Elisa: O Brasil já vem se destacando em programas de Saúde Vocal Ocupacional e Programas de Competência na Comunicação, o que influenciou o convite para escrevermos um capítulo no livro Voice Training Programas for Professional Speakers. Diante desta oportunidade em desenvolver o tema, fui convidada pela segunda vez, a participar de um painel, o que para nós é motivo de grande satisfação e só reforça o quanto o nosso trabalho ao longo destes 20 anos de Univoz está consolidado e nos motiva a continuar levando saúde, bem-estar, qualidade de vida e melhores relacionamentos interpessoais para operadores de telesserviços, professores, jornalistas, líderes, executivos, palestrantes, entre outros profissionais.

• Além do reconhecimento pelo trabalho, o que foi mais positivo ter participado deste importante congresso internacional?

Ana Elisa: Como congressista, tive a oportunidade de conhecer o que há de mais atualizado em assuntos ligados aos cuidados com a voz e ao seu aprimoramento como um dos itens mais importantes para a comunicação humana. Afinal, a voz é responsável por transmitir mais de 38% do conteúdo emocional da fala numa conversa presencial e 82% nas conversas à distância, como no telefone ou no WhatsApp. A partir deste conhecimento, o grande benefício de ter participado é trazer atualização para a Univoz e oferecer o melhor para nossos clientes e empresas que conhecem a solidez do nosso trabalho.

• Na sua participação, você abordou o Programa de Saúde Vocal e Comunicação em empresas aplicados principalmente aos operadores de call center. Conte por que este assunto deve ser motivo de atenção entre as empresas deste e outros segmentos.

Ana Elisa: Estes profissionais sofrem com problemas relacionados à voz, pela própria característica do trabalho de depender da voz para o contato com o cliente. A falta de um programa de saúde vocal eficiente que atue com o real sentido da prevenção, traz prejuízos para o bem-estar do colaborador, sua qualidade de vida; mas também sofrem as empresas com mais afastamentos, licenças por problemas de voz, baixa qualidade e produtividade dos profissionais. No fim dessa linha de prejuízos mútuos, ainda está o risco de passivos trabalhistas para as organizações, uma vez que a disfonia (alterações na voz) já é reconhecida por respaldos legais como podendo ser relacionada ao aos aspectos ocupacionais. E mais do que apresentar uma solução paliativa, meu objetivo é mostrar que desenvolver as competências comunicativas e a voz é o melhor caminho para a prevenção de problemas relacionados às doenças ocupacionais, oferecendo conforto ao operador, professor, vendedores, facilitadores de treinamento e tantos outros profissionais, e segurança para as empresas.

• Quais são os benefícios conquistados pelas empresas que investem em Programas de Saúde Vocal para seus colaboradores?

Ana Elisa: Há dois níveis de resultados: o primeiro para os colaboradores, que ganham em qualidade de vida, conforto no trabalho e mantém a voz saudável para usá-la também em sua vida social; o segundo, para a empresa, que reduz números negativos relacionados ao absenteísmo, licenças, produtividade ou mesmo em questões trabalhistas.

• E o que é Ergonomia Vocal e como ela ajuda o trabalhador e as empresas?

Ana Elisa: Ergonomia é um termo muito conhecido que estuda o ambiente e suas variáveis para ajustá-lo ao homem, trazendo menos adoecimento, e maior qualidade de vida. Ergonomia Vocal foi um termo adotado por um estudioso finlandês e que nos remete ao cuidado global da voz no ambiente de trabalho. Uma vez que a voz pode ser afetada por múltiplos fatores, a Ergonomia Vocal analisa todos esses e busca minimizar seus impactos sobre a qualidade da voz dos trabalhadores. Então, analisamos e fazemos intervenções no ambiente, na organização do trabalho, nos serviços de saúde que apoiam o trabalhador da voz, entre outros. São desde intervenções simples como a observação se tem água à disposição do trabalhador para preservar a voz e a orientação sobre como aumentar esse consumo; ou na análise das pausas e no seu bom uso para repousar a voz. Mas atuamos em questões mais complexas como as orientações dos exercícios corretos para aquecer a voz e no autocontrole da voz diante do estresse inerente ao relacionamento com o cliente.

• A Univoz já vem utilizando os conceitos da Neurociência para os atendimentos, palestras e eventos. Quais são as novidades relacionadas a este tema que você conheceu no TVF?

Ana Elisa: Além dos conceitos de Neurociência, na Univoz já utilizamos os conhecimentos da Fonoaudiologia, Dinâmica dos Grupos, Comunicação Não-Violenta e Psicologia Positiva. E neste congresso assisti a apresentação do pesquisador alemão Boris Alexsander Kleber. Ele ressaltou que o cérebro tem sua plasticidade e que é uma máquina de aprender; que o cérebro aprende a cantar e é modificado pelo canto, o que pode ser um bom exercício para as funções cerebrais. Trouxe estudos interessantes mostrando que ao produzirmos nossa voz nos momentos de comunicação, ela pode ser acionada pelo sistema límbico, e neste caso agiremos emocionalmente como um ato reflexo podendo falar de um modo que não queremos; mas também pode ser controlada pelo córtex cerebral, e assim, poderemos usar a voz que queremos, a voz certa para aquele momento de comunicação. Tratamos desses controles em nossos cursos, coaching e consultorias da comunicação.

• Para encerrar, que orientações você daria para as empresas e também, para todos os profissionais que utilizam a voz a trabalho?

Ana Elisa: No congresso, a pesquisadora Mary Sandage, Ph.D. em Ciência do Exercício, pela Universidade de Auburn, mostrou que em um dia de trabalho as pregas vocais do operador de telesserviços percorre uma distância equivalente a 4,5 km e em professores, a distância pode chegar a 3,7 km, quando o adequado seria um pouco mais de 1km/dia. Então, operadores de call center fazem quatro vezes mais uso da voz e professores três vezes mais uso do que o recomendado. Para outros profissionais que se comunicam muito em ambiente de trabalho, como líderes de equipes, executivos, acreditamos que o uso vocal também é acentuado. Por isso, é fundamental que as empresas tenham a iniciativa de oferecer orientações de saúde vocal aos profissionais, possibilitar momentos para o condicionamento da voz nos PSV (Programas de Saúde da Voz), implante cuidados com a Ergonomia Vocal, e os trabalhos de Comunicação e Relacionamento Interpessoal. A comunicação é um ato de convivência e sobrevivência e temos a missão de cuidar para que ela esteja presente a vida toda auxiliando as pessoas em suas profissões e crescimento na carreira, mas também em suas relações pessoais.

 

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