Investir em desenvolvimento de pessoas para uma nova era

Investir em desenvolvimento de pessoas para uma nova era

Entramos em uma nova era das relações de trabalho. Novas políticas, novos métodos e novas tecnologias são o foco de debate do momento. Para muitos especialistas¹, estamos diante de uma nova realidade que pode ser chamada de 4ª Revolução Industrial. Não se trata apenas da evolução tecnológica, o que sempre foi a marca das revoluções industriais, mas, sim, do quanto as novas tecnologias têm se mostrado capazes de aumentar de forma significativa a eficácia do trabalho e a dinâmica das organizações.

As novas tecnologias têm conectado mais pessoas e sistemas, criando, assim, uma extensa rede de interações. Como resultado temos mais agilidade nas respostas e soluções. Além disso, essa superconexão é a responsável por promover uma maior integração entre diversos saberes, muitas vezes, ultra especializados. Com isso, as demandas de empresas e pessoas são colocadas em um grande microscópio e resolvidas em curto espaço de tempo. Porém, a necessidade de aprimorar os saberes ou aprender novas habilidades segue a mesma velocidade, por isso a atualização precisa ser constante.

Estudos revelam que engenheiros de software, por exemplo, sentem a necessidade de atualizar suas habilidades a cada 12-18 meses para se manter em fase com o mercado. Profissionais de marketing, do setor financeiro e vendas reportam intervalos semelhantes de atualização². Dito desta maneira, parece que estamos diante de um problema. Na verdade, não se trata disso, estamos diante de uma nova realidade e é importante estar atento a ela.

De modo geral, o mercado parece já ter notado esse movimento. Pesquisa coordenada pela Deloitte demonstra que no biênio 2014-2016 houve um aumento de 42% no número de empresas com equipes dedicadas exclusivamente ao treinamento de seus colaboradores. Além de um aumento no número de parcerias entre empresas e fornecedoras de treinamentos. Em outra pesquisa, a ABTD (Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento) demonstra que entre os anos 2016 e 2017 as empresas aumentaram em 21% os investimentos em treinamentos, se considerarmos o que é investido em cada um de seus colaboradores.

De acordo com a mesma pesquisa da ABTD, outro aspecto de destaque é o fato de que 40% das ações de treinamento são destinadas a líderes, justamente por serem eles os responsáveis em repassar conhecimento e em manter a equipe em consonância com as novas demandas do mercado.

A área de Educação Corporativa têm um papel bem claro. Quando as ações de desenvolvimento são bem planejadas e estruturadas, elas contribuem ativamente para aumentar a performance do seu participante. Claro, a melhoria da performance dos indivíduos levará o conjunto a resultados significativos e ao fim do processo ganham todos: empresas e colaboradores. Neste sentido, se fizermos uma análise completa, a qual busque associar o contexto atual, os dados acima apresentados e a finalidade das ações de desenvolvimento, podemos chegar a algumas conclusões importantes:

  • No cenário atual, o retorno do investimento em treinamento e desenvolvimento não representa um retorno de capital imediato, e, sim, a garantia de que a empresa está em consonância com as mudanças e demandas do mercado. Elemento essencial para que ela se mantenha produtiva e, é claro, competitiva.
  • Investir em capacitação e desenvolvimento representa uma atualização constante dos colaboradores, o que permite a empresa sempre oferecer os melhores serviços e produtos, garantindo a satisfação de seus clientes, o que fortalece a marca como um todo.
  • Quando os conceitos de uma capacitação e desenvolvimento são bem utilizados pelos colaboradores, eles contribuem para uma mudança significativa de atitude, que geram resultados e melhoram a produtividade de toda a equipe.
  • Treinar lideranças é um exercício fundamental. Poucos papeis sofreram e sofrem tantas mudanças na atualidade, por isso a constante atualização ajuda a fortalecer o seu papel.
  • Dentro da cadeia produtiva, o desenvolvimento dos talentos têm um papel fundamental, pois são a ponte entre as mudanças que ocorrem no meio social e as necessidades que o cotidiano corporativo demanda de todos os seus participantes.

Dessa forma, fica bastante evidente que o investimento em educação corporativa não é um mero exercício de aprimoramento, ele tem uma conexão direta com as novas demandas e diretrizes do mercado. Treinar equipes de colaboradores, preparar líderes, investir no desenvolvimento como parte fundamental da cultura de uma empresa são tendências e já representam uma prática essencial para aqueles que pretendem manter-se à frente das mudanças que estão ocorrendo.

Ana Elisa Moreira-Ferreira
Ma.Fga. Coach e Consultora em Comunicação Humana
Univoz Consultoria e Desenvolvimento de Pessoas.

¹Schwab, Klaus (2017).The Fourth Industrial Revolution. New York: Crown Publishing Group.
² Rewriting the rules for the digital age – Deloitte’s 2017 Global Human Capital Trends report

 

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